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quarta-feira, 20 de abril de 2011

DIA DA BICICLETA - DR HOFMANN e o LSD 19/04





Há mais de 100 anos atrás nascia na pequena cidade chamada Baden, localizada na Suíça, uma pessoa que viria a se tornar um dos maiores químicos dos nossos tempos.

Albert Hofmann irmão mais velho de outros três, logo cedo despontou grande interesse por estudos. Em vários cursos foi o melhor aluno, inclusive curso de línguas. Após a morte de seu pai, caiu sobre a responsabilidade de ser o homem da família, sendo essa uma das razões por levar muito a sério os estudos. Formou-se em Química na universidade de Zurich, e com um doutorado, é empregado no Laboratório de Pesquisas Química e Farmacêutica Sandoz, em Basel. A partir daí, começa-se a contar a história do cientista, químico e pesquisador de plantas e fungos medicinais: Albert Hofmann.
Suas pesquisas foram direcionadas em plantas e fungos medicinais, tentando extrair e sintetizar substâncias psicoativas. Em 1938, ele isola um dos componentes básicos e essenciais para todas as outras substâncias alcalóides terapêuticas da época: o Ácido Lisérgico.
Fez experiências com várias outras substâncias que acabaram derivando estimulantes para respiração e circulação do corpo. Um desses estimulantes acaba por ser o LSD-25 (ácido lisérgico dietilamida – 25). Mas por ter obtido resultados ainda pouco significativos, os farmacêuticos logo perderam o interesse e deixaram de lado a continuidade e a remuneração das pesquisas.Cinco anos mais tarde, tomado por um “pressentimento”, Albert Hofmann retoma as pesquisas com o LSD-25. no dia 16 de Abril de 1943, durante uma e suas experiências ele percebe sensações um tanto quanto diferentes. Em suas palavras:
“...uma inquietude notável combinada com uma prazerosa sensação de leveza”.
Neste momento Hofmann interrompeu seus estudos e foi para casa:
“Quando cheguei em casa deitei e afundei em uma condição de intoxicação muito agradável, caracterizado por uma imaginação extremamente estimulante. Em um estado de sonho-acordado, com os olhos fechados (eu achei que a luz do dia estava desagradavelmente brilhante), eu percebi uma série ininterrupta de figuras fantásticas, extraordinárias formas de muita intensidade, caleidoscópicos jogos de cores. Vontade de rir. Depois de mais ou menos 2 horas essa condição havia enfraquecido”.
Dr. Albert Hofmann descobria acidentalmente o que viria a se tornar uma das substâncias psicoativas de maior poder conhecido pelo homem. Três dias depois, em 19 de Abril de 1943, Hofmann se prepara para a primeira experiência científica baseada em uma dose de 250 microgramas de LSD-25. Descobre então toda a intensidade e poder alucinógeno da substância:
“Um demônio havia me possuído” –“Ele me possuiu o corpo, a mente, a alma. Pulei, gritei tentando me livrar dele, mas então me afundei no sofá novamente, sem ter o que fazer”.
Este dia também conhecido como Dia da Bicicleta, ficou famoso, pois após tomar a dose de LSD, Hofmann foi pra casa de bicicleta sob os efeitos da substância. Esta foi a primeira "viajem" de LSD da história. Desde então a vida de Dr. Albert Hofmann se confunde, funde e realiza com a história do LSD.Em 1958, obtém sucesso em isolar duas poderosas substâncias psicoativas, a psilocybin e a psilocin dos cogumelos mágicos mexicanos (Rivea corymbosa), os mesmos usados por xamãs mexicanos.


Em 1962, o doutor se encontra com uma das mais famosas xamãs do México: Maria Sabina. Neste incrível encontro de gigantes, Dr. Hofmann apresenta à Maria Sabina pílulas sintéticas com psilocybin do cogumelo mexicano. Ele havia produzido em seus laboratórios, na Sandoz, e sugeriu que Maria Sabina as usasse para ver se os efeitos poderiam ser parecidos ou quem sabe os mesmos. Durante uma cerimônia, Sabina usou as pílulas e o teste foi aprovado. Sabina achou que os efeitos eram pouco diferentes, mas com o mesmo espírito, e que esta substância permitiria realizar as cerimônias com a sua comunidade mesmo quando não fosse época de cogumelos. Muito agradecida a Hofmann.
Muitas foram as contribuições de Albert Hofmann no campo de pesquisas e experiências com substância psicoativas sintetizadas. Neste momento, permitia as pessoas um modo mais fácil de utilizar substâncias psicoativas terapêuticas, iria ser vendido em farmácias. Podia-se comprar frascos de LSD em farmácias como uma droga qualquer para remediar, no caso, para melhorar a circulação sanguínea.
Não demorou para que a substância e seus efeitos fossem conhecidos pela sociedade. Devido ao fato de produzir uma reação, principalmente na mente, abrindo novas “janelas” ou “portas” da percepção, seu uso foi principalmente como uma “droga” para curtição e também para experiências pessoais.O uso da substância caiu nas graças de escritores, jornalistas, hippies, jovens atônitos por um novo estilo de vida, artistas e personalidades que agora tinham um novo meio de expandir a consciência ou alcançar um nível espiritual mais elevado ou mesmo ficar muito louco e “viajar”. Mas de fato a nova droga surgia como um meio representativo para os novos padrões da sociedade. Pessoas do Ocidente buscavam por modos alternativos de viver, buscando inspirações no Oriente e no espiritualismo. Cansados da hipocrisia do governo e das pessoas, das imposições do Sistema, surgiam os Beatniks e mais tarde os Hippies, os Punks, os Grunges e etc., formando suas próprias comunidades e estilos de vida que perduram até os dias de hoje.
A busca por alternativas fora dos padrões que regia, ou ainda rege, a sociedade, já estavam sendo procuradas por muitos e, de alguma forma, s chamadas “drogas” psicoativas estavam acompanhando esse “novo” modo de viver.
É esse modo, alternativo de ver a realidade, de buscar por uma outra verdade, que Hofmann acreditava que o LSD pode contribuir para as pessoas, ou te mesmo transforma-las. Para o doutor, o poder do LSD poderia beneficiar as pessoas do mundo todo. Os efeitos de alteração da consciência, as possíveis alucinações e ilusões conseqüentes do estado causado pelo uso de LSD seriam apenas o começo dos verdadeiros efeitos da substância. O químico acredita que a droga pode “abrir janelas para uma outra realidade”.
“A crença unilateral na visão científica sobre a Vida é baseado em um engano de longos anos. Certamente tudo o que ela contém é real, porém isto representa somente uma parte da realidade; somente o que é material, quantificável. O LSD abre uma fenda na mente para todas as dimensões espirituais que não podem ser explicadas pelos termos físicos e químicos e é exatamente isso que o inclui como uma importante substância, pois age na característica mais importante de toda forma de vida”.
Porém, também não demorou para que seu uso fosse criminalizado. Quando a droga começou a ser usada por estas pessoas que lutavam por um novo rumo para a sociedade, exigiam por uma revolução e batiam de frente com o governo da época, e, ao mesmo tempo em que surgiam laboratórios que também passaram a produzir a substância, até mesmo clandestinamente, de qualidade desconfiada, o governo americano decidiu, em 1968, que o uso do LSD corromperia a sociedade, marginalizando jovens despreparados.
Os EUA, apoiado pela população numa luta contra as drogas, não tiveram dificuldades em aprovar este projeto. Assim, o uso e a comercialização do LSD estariam proibidos, sendo considerado agora como um droga ilegal.
Hofmann se desapontou quando viu o LSD ser proibido e que os verdadeiros efeitos e benefícios do LSD estavam desvirtuados nas mãos do governo. Sabemos que a proibição se esconde nas concepções fundamentais de relação entre indivíduo, sociedade e Estado. Albert Hofmann sempre lutou para que a substância fosse legalizada, provando que seus efeitos não eram nocivos a saúde, mas muito pelo contrário, possibilitaria uma expansão da consciência, uma ligação espiritual, conectando a mente e corpo.
Problemas sociais como o materialismo, a falta de compaixão entre as pessoas, o caos e estresse urbano, a falta de espiritualidade das pessoas, podem, segundo Hofmann, ser amenizados com o uso consciente desta nova droga.
outras descobertas para o mundo nos laboratórios da Sandoz, onde trabalhou até sua aposentadoria, em 1971.Hofmann sempre manteve suas pesquisas focalizadas em plantas medicinais, acabou por sintetizar várias substâncias essenciais para muitos remédios que ajudam a população até os dias de hoje, como o Hydergine, o Dihydergot remédio para circulação e pressão sanguínea e o Methergine remédio usado por ginecologistas. Recebendo méritos, dos mais diversos, por suas descobertas, como o Doutorado Honorário pela ETH de Zurich, pela Universidade de Estocolmo, pela Universidade Livre de Berlim e hoje faz parte do comitê do prêmio Nobel, além da publicação de mais de cem artigos científicos e autor de livros consagrados no campo filosófico e crítico social.
Após sua aposentadoria, Albert Hofmann se dedicou mais a escrever e lecionar sobre suas experiências e conhecimentos. Autor de diversos livros começou a escrever sobre suas experiências pessoais e no que as pesquisas sobre LSD e outras substâncias mudaram sua vida.
Um dos encontros que Albert Hofmann teve foi com o escritor e crítico visionário Aldous Huxley. Em 1961, Albert Hofmann se encontra para uma conversa com o escritor e sua mulher. Um encontro informa, claro, mas cheio de expectativas pois Albert era grande admirador de Huxley. Já havia lido diversos de seus livros.
No ano seguinte a este encontro, que gerou diversas discussões sobre como substâncias psicoativas podem influenciar na vida das pessoas, Aldous Huxley publicou o que seria seu último livro: “A Ilha”.
Albert Hofmann também teve encontros com o “popularizador” do LSD e grande incentivador da cultura psicodélica: Timothy Leary.Hofmann e Leary não foram tão próximos quanto se imagina, porém, ambos, acreditam que as substâncias psicodélicas podem ajudar as pessoas. Que através dessas substâncias, que são diferentes de outras substâncias enquadradas como narcóticas, pode-se conectar as pessoas de uma maneira espiritual, aumentar a criatividade da mente e expandia a consciência ao infinito. A discordância entre Hofmann e Leary está nessa popularização dessa substância, que segundo Hofmann teria influenciado para o uso irracional e conseqüente proibição por parte do governo.
Albert Hofmann, aos 100 anos de idade, ainda luta por um Mundo melhor. Participa ativamente de campanhas de proteção ao meio ambiente e acredita, mesmo que desconfiadamente, nessa nova cultura que nascia em meados da década de 50. Esta cultura psicodélica que perdura até os dias de hoje e que, sempre existiu e sempre vai existir, mesmo que desvirtuada por muitos, se deve em alguma parte a Hofmann.
Seja com ou sem o uso de substâncias psicodélicas, devemos sempre buscar a verdade, pois segundo Hofmann, “O LSD é apenas uma ferramenta para ajudar a descobrir o que nós supostamente deveríamos ser”. Somos um e somos o Todo.
Concluo esse texto especial dizendo: Parabéns Hofmann, obrigado por todas as contribuições que vêm dando a esta sociedade.
Texto escrito por Hugo Miyamura retirado da Union Magazine.

Um comentário:

  1. Os cogumelos mágicos mexicanos são na verdade PSILOCIBE CUBENSIS, e não há relatos de uso por xamãs mexicanos. A Rivea Corimbosa descrita no texto como sendo os cogumelos na verdade são sementes de oliliuhqui, que contém LSA.
    O LSD nunca foi vendido livremente para "melhorar a circulação sanguinea", e sim era usado como coadjuvante em psicoterapias.

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